StayAway é uma aplicação portuguesa para monitorizar possíveis contágios de Covid-19

woman using mobile phone

Muito se tem falado ultimamente de apps para monitorizar o possível contágio da Covid-19, algo que já existe, como é o caso de Singapura, e que está em desenvolvimento em países como Alemanha e França. A União Europeia também tem vindo a trabalhar sobre este assunto há já algum tempo. Isto é visto como algo muito importante, tendo inclusive levado a que a Apple e a Google tenham aliado esforços no desenvolvimento de uma plataforma conjunta que funcione nas plataformas Android e iOS.

Em Portugal, e mesmo que inicialmente o governo tenha indicado não estar a pensar em algo semelhante, numa entrevista realizada na semana passada, o primeiro-ministro revelou ao país que Portugal estava trabalhar numa aplicação para monitorizar contactos com infectados, admitindo a possibilidade de a Direcção-Geral da Saúde (DGS) ter acessos aos telemóveis dos portugueses para efectuar o rastreio.

Essa aplicação está realmente a ser desenvolvida por uma equipa de investigadores do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC), com o apoio do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), e chama-se StayAway, sendo rotulada como uma aplicação voluntária, não intrusiva e não discriminatória, garantindo a privacidade e protecção de dados dos utilizadores.

A StayAway deverá estar disponível para sistemas Android e iOS no final do mês de Maio e trata-se de uma aplicação para rastreio rápido de possíveis contágios por Covid-19 e usa o Bluetooth para detectar a proximidade física entre smartphones e avisar os utilizadores que estiveram no mesmo espaço onde, nos últimos 14 dias, esteve alguém infectado com o novo coronavírus.

Esta é uma plataforma de uso voluntário que informa os utilizadores de uma ocasião de proximidade, ocorrida nos últimos 14 dias, com alguém confirmado como infectado. É um método que poderá estender e acelerar, preservando o anonimato dos envolvidos, a identificação das cadeias de transmissão que as autoridades de saúde realizam desde o início da pandemia“, afirma José Manuel Mendonça, presidente da administração do IESC TEC e professor na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP). “Cada telemóvel difunde na sua proximidade identificadores anónimos e armazena localmente os identificadores difundidos pelos telemóveis com quem se cruze. Ainda que absolutamente desprovida de uma relação com os telemóveis que a gerou e, consequentemente, com os utilizadores desses telemóveis, esta informação permitirá ao próprio detectar a sua proximidade com uma pessoa infectada. Uma pessoa confirmada como infectada com covid-19 poderá publicar online, com a legitimação das autoridades de saúde, os seus identificadores anónimos que partilhou nos últimos 14 dias“.

Foi indicado que a StayAway é voluntária e não intrusiva. “No caso de uma pessoa que não contraia a doença e que não tenha contacto com nenhum infectado, a única interacção que terá com a app será a instalação da mesma no seu smartphone. Mas esta aplicação será tanto mais eficaz quanto maior for o número de utilizadores“, acrescenta José Manuel Mendonça. Obviamente, para o sucesso de uma iniciativa deste tipo depende da vontade da população em instalar e utilizar esta aplicação, e da pessoa infectada permitir partilhar a sua condição na aplicação. O principal bloqueio será, sem dúvida, as questões de privacidade dos utilizadores. Daí, ter sido assegurado que “a aplicação cumpre as legislações europeia e nacional de protecção de dados. O utilizador apenas tem de instalar a app, não sendo necessário, para o efeito, partilhar qualquer tipo de informação pessoal“, esclarece o INESC TEC.

Partilhe este artigo:

por Paulo Miranda

Fundador do projecto Foneplay, desde muito cedo entusiasta pela tecnologia, tendo acompanhado toda a evolução da internet e telemóveis. Trabalha nesta área há muitos anos sendo fã de jogos e de todos os assuntos relacionados com as telecomunicações móveis. Facebook | LinkedIn

Ver todos os posts de Paulo Miranda →

Deixe uma resposta

Os comentários, que são moderados antes de serem publicados, são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. A Foneplay reserva-se no direito de excluir comentários que achar não serem adequados.