França acusa Apple de se recusar a ajudar em aplicação de monitorização da Covid-19

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O controlo e monitorização de possíveis contágios da Covid-19 estão cada vez mais na ordem do dia. Vários países lançaram aplicações que, com a concordância dos utilizadores, podem registar com quem estiveram perto nos últimos 14 dias e informar caso algum desses contactos ficar infectado. A Apple e a Google uniram esforços na criação de uma funcionalidade nos sistemas Android e iOS para permitir uma melhor utilização e funcionamento deste tipo de aplicações.

Estas aplicações usam o Bluetooth, que permite que os smartphones interajam com dispositivos próximos, denunciando quando o utilizador do aparelho ficar nas proximidades de um determinado alvo, no caso, pessoas que potencialmente estão contaminadas com o vírus.

Muitos governos acham que este tipo de aplicações são essenciais para manter a pandemia de coronavírus mais controlada numa altura de reabertura de suas economias. Portugal está a trabalhar numa aplicação do tipo, a Austrália já lançou uma destas aplicações, o Reino Unido está a iniciar testes, assim como a França.

Ora o governo francês está desapontado com a Apple pois esta recusar-se a realizar ajustes no sistema operativo dos iPhones, o iOS, para permitir um melhor funcionamento da aplicação que está a criar. Os iPhones normalmente bloqueiam o acesso ao Bluetooth, a menos que o utilizador esteja com a aplicação aberta e a utilizar a funcionalidade. As autoridades francesas querem que a Apple altere as configurações do iOS para permitir que a sua aplicação aceda ao Bluetooth em segundo plano para monitorizar constantemente os passos dos utilizadores dos equipamentos.

A Apple poderia ter-nos ajudado a fazer a aplicação funcionar ainda melhor no iPhone. Eles não desejam fazê-lo”, disse o ministro francês de tecnologia digital, Cedric O, à BFM Business TV. “Lamento isso, já que estamos num período em que todos estão mobilizados para lutar contra a pandemia, e considerando que uma grande empresa que está a sair-se tão bem economicamente não está a ajudar um governo nesta crise”. A Apple, através do seu porta-voz na França, recusou-se a comentar.

A questão do acesso Bluetooth nos iPhones é uma das várias questões relacionadas à segurança que surgiram à medida que os países tentam lançar aplicações sob o pretexto de combater o coronavírus. A França, juntamente com alguns outros países, deseja manter os dados dos contactos das pessoas numa base de dados central, argumentando que isso facilitará o trabalho de monitorização dos indivíduos.

A Apple e o Google, responsáveis pelos sistemas operativos que equipam quase todos os smartphones em uso no mundo, querem que os dados sejam armazenados nos próprios equipamentos, fora do alcance dos governos, dizendo que isso protegeria melhor a privacidade dos utilizadores.

Esta é uma questão que vai estar em foco durante os próximos tempos, com vários governos a implementar e a disponibilizar aplicações deste tipo e a sentirem-se, de certo modo, dependentes de empresas estrangeiras para poderem implementar melhor as soluções que pretendem. A Apple e a Google a fortalecerem as suas posições para manterem os seus sistemas seguros, mesmo fornecendo este tipo de funcionalidades de monitorização. E, depois, as pessoas que, por mais importante e útil que aplicações deste género sejam, levantam sempre muitas questões de privacidade, algo que limitará que muitas acedam a utilizá-las, ainda para mais quando, aparentemente, todas serão de utilização facultativa.

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por Paulo Miranda

Fundador do projecto Foneplay, desde muito cedo entusiasta pela tecnologia, tendo acompanhado toda a evolução da internet e telemóveis. Trabalha nesta área há muitos anos sendo fã de jogos e de todos os assuntos relacionados com as telecomunicações móveis. Facebook | LinkedIn

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