Tetris, o clássico jogo de quebra-cabeças, comemora hoje 35 anos

Um dos mais vendidos e conhecidos jogos de sempre comemora hoje 35 anos. Trata-se de Tetris, o clássico jogo de quebra-cabeças criado na década de oitenta do século passado e que já vendeu mais de 170 milhões de cópias. Já se disse tudo e mais alguma coisa sobre este clássico dos clássicos; editaram-se livros, publicaram-se milhares de artigos e entrevistas, que segundo o Instituto Karolinska, na Suécia, e da Universidade de Oxford, no Reino Unido, o popular título pode ajudar a diminuir significativamente o stress pós-traumático e reduzir o surgimento dos chamados “flashbacks”, e que, algo já falado há vários anos, irá inclusive ter um filme.

Oficialmente, Tetris foi criado a 6 de Junho de 1984, por Alexey Pajitnov, que na altura era engenheiro informático no Centro de Computação da Academia Russa de Ciências. O nome Tetris é uma combinação da palavra “tetra”, que em grego significa quatro – hão-de reparar que as peças deste jogo são compostas por quadrados, todas têm quatro segmentos, e por isso se chamam tetraminós – e de ténis, o desporto favorito de Pajitnov. Antes disso, porém, o engenheiro russo, em parceria com outros informáticos desta universidade de Moscovo, tinha desenvolvido uma série de pequenos jogos para PC e tentara vendê-los em pacote. Uma ideia que, para a época na União Soviética, levantava uma série de problemas. Criar e vender algo de forma privada era difícil, os direitos de autor não estavam bem definidos, o mercado russo era praticamente inexistente… Felizmente, pelo que viria a suceder, Pajitnov não teve êxito, e decidiu distribuir os jogos gratuitamente pelos amigos, incluindo o Tetris.

Não foi preciso esperar muito tempo para o jogo sair detrás da cortina de ferro e galgar o muro de Berlim. Uma empresa estrangeira mostrou interesse em Tetris e pretendia licenciá-lo. Tinha saído a sorte grande a Pajitnov, que abandonou os restantes jogos para se concentrar única e exclusivamente no seu “mais que tudo”, Tetris.

Em plena década de 1980, contavam-se milhares os jogadores que tinham (cópias piratas ou não de) Tetris no PC, era um jogo sobejamente conhecido, mas o melhor ainda estava por vir. A Nintendo, em 1989, inaugura o mercado das consolas portáteis com o Game Boy. Esta máquina, que cabia no bolso das calças, rapidamente se tornou num objecto apetecível e banal, tanto que, durante muitos anos, foi a consola mais vendida de todos os tempos. O seu preço era acessível, a ludoteca crescia a olhos vistos e na sua compra era oferecido um jogo muito simples e viciante: Tetris!

Foi, talvez, o verdadeiro “boom” deste título. Num ápice, começou a ver-se Tetris em toda a parte. Nos vários computadores, noutras consolas, nas máquinas de arcada, mais tarde, nos telemóveis e nalguns electrodomésticos. Pajitnov lucruo, mas naturalmente não viu royalties de tudo quanto se fez à volta da sua criação porque muitos editores e fabricantes clonaram (a ideia) de Tetris, evitando assim pagar direitos de autor. Alguns foram tão descarados que só mudaram o formato das peças e deram-lhes nomes sugestivos, outros, mais engenhosos, introduziram cores, músicas, bónus e outras fantasias, mas o conceito permaneceu basicamente o mesmo: temos de encaixar as peças que caem e se amontoam numa base.

Em 1991, Pajitnov emigrou para os Estados Unidos, onde fundou uma empresa de desenvolvimento de software lúdico, a Tetris Company, e durante muito tempo explorou literalmente até ao tutano o seu Tetris, criando novas versões do seu puzzle, mais do mesmo, diga-se de passagem. De 1996 a 2005, este engenheiro russo trabalhou para a Microsoft, criando pequenos jogos de raciocínio e puzzles para esta multinacional.

É difícil contabilizar o número de exemplares que Tetris vendeu. As cópias piratas excedem seguramente as originais, além disso, é virtualmente impossível somar todos os clones que foram editados… e que continuam a sair para a rua. No entanto, estima-se que Tetris tenha vendido qualquer coisa como 170 milhões de cópias,

Não tão grande, mas ainda assim numeroso é a quantidade de processos, disputas legais, que este jogo deu origem. Algumas editoras lançaram as suas versões de Tetris, não pagando direitos de autor; outras editoras licenciaram o jogo, em exclusividade para determinadas plataformas/consolas, mas entraram em conflito com um ou outro fabricante de consolas, porque estes decidiram editar o jogo por conta própria. Esta e muitas outras confusões fizeram correr bastante tinta nos tribunais.

Cliché ou não, o certo é que 35 anos depois, Tetris continua vivo. Não apenas nas nossas memórias, mas nos computadores, nas consolas, na Internet e nos smartphones através dos diversos títulos existentes, oficiais e clones. E quando pensamos que já não havia volta a dar-lhe, que é uma fórmula já gasta, vemo-lo num outro formato com outra roupagem e em novas versões, como o Tetris Effect para a PS4, lançada no ano passado, e o Tetris 99 para a Nintendo Switch que será lançada no próximo ano.

Parabéns Tetris!

por Paulo Miranda

Fundador do projecto Foneplay, desde muito cedo entusiasta pela tecnologia, tendo acompanhado toda a evolução da internet e telemóveis. Trabalha nesta área há muitos anos sendo fã de jogos e de todos os assuntos relacionados com as telecomunicações móveis.

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